GOETHE
O PRECURSOR DA NOVA ERA
- RENÉE LENK-
O jovem Goethe, com a publicação de seu primeiro romance, o Werther, obra menor, mas que o tornou, da noite para o dia, a sensação literária da Europa.
A figura do jovem poeta, enamorado, infeliz e baixo astral, que morre tísico devido ao seu amor impossível, transformou-se na visão ideal do poeta sensível, e da famosa MALAISE, adotada pelos poetas franceses como Baudelaire, Rimbaud e Verlaine. O ícone Werther perdurou até o começo do século XX .
Um verdadeiro clichê que demorou a cair, influenciando até poetas brasileiros como Cruz e Souza e até Manoel Bandeira.
Existe uma gravura do jovem Goethe, assistindo, de longe, seu herói, Napoleão, invadindo Leipzig, cidade alemã.
Os ideais, de Liberdade, Fraternidade e Igualdade, entusiasmaram também a nova geração alemã, apesar dos franceses serem, política e tradicionalmente, seus concorrentes.
E as características bairristas que ainda existem na Europa foram desafiadas por Bonaparte,que sonhava com os Estados Unidos da Europa, mas, sob sua égide.
Vindo praticamente da classe operária, nascido na Sardenha, de nacionalidade italiana que se autoproclamou imperador da França, apesar de sua velha e soberba casta aristocrática à qual não pertencia, e , apesar da presença do Papa, vindo de Roma especialmente para abençoar a coroação, Naspoleão tirou-lhe a coroa das mãos e a colocou ele mesmo ,sobre sua cabeça, e, logo depois, colocou a de rainha em sua mulher, Joséphine.
A Alemanha começava a despontar como pais. Até aquele momento, não existia como nação.Eram cidades-estados que falavam alemão, apesar dos vários dialetos, e que fizeram parte do arcaico Sacro Império Germânico, de orientação católica. Foi preciso de Bismarck, chanceler da Prússia luterana, para formar a nova Alemanha como um todo. Poderosa e unida.
Goethe, filho de advogado, membro de uma família respeitável e proeminente de Frankfurt, não tinha espírito boêmio como, por exemplo, o das diversas gerações de artistas que tomaram Paris de assalto.
Goethe foi um Ser muito evoluído, de talento visionário.
Foi um formador de parâmetros e paradigmas, na Europa, como Dante, Camões e Shakespeare - aliás, uma das encarnações de Mestre Saint Germain e ao qual se referem ainda como o Bardo, denominação que se dava aos poetas celtas e os medievais.
As imagens, os sons, os usos novos de vocábulos, novas cadencias musicais, transformam sua poesia em uma maneira totalmente nova de usar a língua alemã.
Com Shakespeare aconteceu a mesma coisa.
O artista alemão tinha perfeita consciência disso, já que seu uniu aos irmãos Schlegel, ao filólogo Tieck,que juntos, imediatamente, traduziram Shakespeare, além de outros artistas que viam a poesia, com novos olhos, no espírito do movimento que criaram, chamado Sturm und Drang. Trabalharam a língua alemã e publicaram os primeiros dicionários. E procuraram suas raízes e contaram estórias sobre o passado. Goethe chegou a poetizar sobre o reino subterrâneo de Thule – Telos ?
Tinha interesses fora da literatura. Escreveu Uma Teoria das Cores e pesquisas geológicas.
Sua obra prima é o Fausto.
Goethe, fazendo uso de uma poesia excepcional, conta a história entre o Bem e o Mal, e a Redenção
Do Homem pelo Amor.
Mefistófeles sabe e diz que Deus existe, referindo-se a Ele como o Velho Senhor.
E Fausto até abandonado, veementemente, por Gretchen , teve a oportunidade de passar por todas as manifestações de Deus que a humanidade já não mais conhecia, não mais lembrava.
Fausto, depois do início da Noite de Valpurges – o Beltane - sai em visita às Mães da Terra.
E o poeta faz a Bruxa recitar, mas sem explicar, a aritmética cabalística.
Fala em linguagem cromoterápica – O cinza é a cor de toda teoria. Só o verde é a cor da Árvore da Vida. O Bem vence e o final é uma grande exaltação e celebração ao Eterno Feminino.
A segunda parte, por desejo seu, só foi publicada, depois de sua morte.
Será coincidência que os dois grandes poetas escreveram suas obras principais para o teatro? Para facilitar acesso ao Povo? Facilitando a evolução?
Goethe soube também criar um excelente marketing para si e sua constelação, como Schiller e os poetas do movimento romântico Sturm und Drang, formado por uma elite prussiana, obediente aos rituais sociais.
Heinrich Von Kleist, o rebelde, vê seu herói, o Príncipe de Homburg, que apesar de ter ganho a batalha, desobedecera ordens superioriores e teve que enfrentar a corte marcial e, conseqüentemente, o batalhão de fuzilamento.
Goethe achou os sentimentos do herói tumultuados e confusos, por isso rejeitou Kleist.
Ele só foi reconhecido um século depois.
Mas mesmo Goethe, que ficou famoso, de repente, com seu Werther , se tornou o protótipo do jovem poeta, super sensível e tísico.
Esta obra não faz lhe fez jus, comparada à obra que Goethe produziu mais tarde, principalmente o Fausto, cuja II parte deixou para ser publicada depois de sua morte. Não que precisasse o fervor que Werther causou. Sua poesia, desde jovem, era de uma maestria fora do comum. Tanto no tratamento da língua em si quanto ao seu significado.
O seu conhecimento e domínio do alemão alem de suas audácias, transformaram o idioma e o enriqueceram com novo uso de vocábulos e novas maneiras. Modernizou a língua ao mesmo tempo em que a formou.
O alto alemão passou a existir com Goethe assim como o alto italiano, passou de ser dialeto toscano para o ser overnáculo, léxico utilizado na Divina Comedia por Dante.
Aparentemente, queria ser honrado pelo sistema para, talvez, estabelecer, firmemente, a Arte na Alemanha, abrir as portas para a esquecida e verdadeira visão cósmica.
O Fausto é obra Iniciática.
O Precursor da Nova Era.