ARTE E ESPIRITUALIDADE
SEMPRE
ANDARAM JUNTAS

MÃE MARIA
RENÉE LENK
Além do Amor, a Beleza sempre foi a melhor maneira que os Homens encontraram para transmitir o Conhecimento.
E muitas das vezes, os artistas, de modo explícito, mostravam para aqueles que queriam ou podiam ver e ouvir, o que só se conceitualizava didaticamente para “os eleitos”, a fim de manter o controle em todas suas formas, para um número mínimo
de pessoas.
Só para os controladores.
Por isso, os artistas que foram “tocados” por outro, anterior a eles, que passaram a ser seus Mestres Inspiradores
foram abertamente homenageados e não copiados. Como Camões que começa “Os Luzíadas “ com:
“As Armas e o Barões Assinalados. “, homenageou Virgílio que começou sua “Eneida “ com “Arma Virunque Cano”.
Além dos artistas, os escribas, que também serviam às classes pensantes e por isso dominantes, sabiam dos “segredos”. Foram uma espécie de atravessadores do Oculto. Também aqueles que copiavam os textos sagrados, desde a Torá até Gutemberg e Lutero, entendiam e introjetavam, a nível de consciência, o que escreviam e se transformaram tornando-se iniciados. Continuavam a passar o Conhecimento, subliminarmente, e permaneciam meros copiadores, ou só maus tradutores.
Os hieróglifos, além dos desenhos, se compõem também de letras que assim explicam seu significado total; é uma “gestalt”; um todo composto cujo significado só era conhecido pela nobreza, toda ela Iniciada, e os sacerdotes que lutaram arduamente para manter uma miríade de deuses e se desvencilharam de Amenófis IV, Ackenaton, filho do deus único, Aton, casado com a Bela Nefertiti, que foi um dos precursores de Mestre Jesus, trazendo a mesma mensagem. Só que naquela época, a mensagem não pode ser entendida.
Este faraó construiu e criou Aketaton, uma cidade maravilhosamente bela, para o bem viver de seus súditos, baseado no Amor, conhecimento, fartura e justiça. Por isso, durou pouco e foi aniquilada o mais depressa possível.
Seu sucessor, Tutankamon, apesar de mais conhecido do que seu pai, devido a sua tumba ter sido encontrada completa com todos os despojos magníficos, pelo arqueólogo americano Howard Carter. Este faraó não sendo tão iluminado quanto seu pai, ao subir ao trono se tornou apenas um joguete nas mãos dos sacerdotes, que re-instituíram, rapidamente, o velho panteão de deuses que lhe trazia poder e subsistência farta para si e todos os agregados.
O afabeto hebraico belíssimo só composto de consoantes, que correspondem cada um a um determinado número, é a base do estudo da Kabalá.
Só recentemente foram acrescentados pontos, que servem como vogais, para facilitar a leitura dos considerados menos iniciados.
É importante notar que o Hebraico se lê da direita à esquerda, ótica oposta ao alfabeto latinolido da esquerda para a direita. Ambos de um lado para outro. Como também o Sânscrito. Já o mandarim e o japonês, verticalmente.
Os símbolos foram inventados segundo estes dois padrões: esconder e ao mesmo tempo encaminhar àqueles que estavam buscando.
O esquadro e o compasso foram sempre os símbolos da Maçonaria – aliás, mason, em inglês quer dizer pedreiro. E eles foram e ainda são os discípulos do Grande Arquiteto: o Senhor.
Se a sociedade maçônica se formou com de Hiran Abiff, artífice e criador do Segundo Templo do Rei Salomão ou na Idade Média é irrelevante. Mas seus seguidores conceberam e calcularam as catedrais góticas, milagres arquitetônicos, com suas ogivas suspensas sem apoio interno central apoiadas só pelos arcos botantes externos, que seguram com uma singular elegância toda a estrutura das diversas catedrais. É uma concepção sem dúvida nenhuma Divina, pela sua beleza e audácia arquitetônica.
Existe um maravilhoso conto do escritor e historiador português Camilo Castelo Branco chamado “A Abóbada”, no qual em Portugal se está a construir uma catedral e a coroa da edificação, a abobada, não ficava de pé, sempre tombava. A solução achada foi chamar, de malgrado, um “construtor” cego relegado ao esquecimento devido à sua deficiência, que conseguiu, através de novos cálculos levantá-la gloriosamente.
Grande lição de Camilo, o cego é que viu, com precisão e clareza, através de sua consciência e visão internas.
Beethoven não “compôs” a nona sinfonia, principalmente o coral audaciosamente inovador, apenas com sua audição interna? Colocando seu ouvido na cauda de seu piano para “sentir” as ressonâncias e contrapontos?
O Radiantíssimo sempre escolheu Seus mensageiros artísticos para serem também referências humanas excepcionais!
Sobre Shakespeare pouco se sabe. Com certeza só uma certidão de batismo em Stattford On Avon, referente a seu nascimento. Diz-se que trabalhou num curtume até fugir para Londres.
Ou era Francis Bacon? Um escritor contemporâneo?
Por que é chamado de “bardo”, como os cantores/poetas das cortes ainda de tradição celta?
Será que não foi uma das encarnações de Mestre Saint Germain, que também foi o druida dos druidas? Merlin, príncipe da dinastia lendária dos celtas, os Pendragon de Avalon, anterior aos bretões?
Igualmente rico, tanto na poesia como na música e no cancioneiro, é o Ciclo do Graal tornado conhecido em três línguas: inglês, francês e alemão. O bardo favorito de todos, Shakespeare, Chrétien de Troyes em francês e Wolfram von Eschenbach, em alemão.
O Rei Arthur, último filho sagrado da Deusa, tudo perderá. Camelot desaparecerá e Avalon permanecerá escondida nos véus das brumas, à altura de Glanstoneburry, simbolicamente oficializando o Cristianismo.
Percifal, filho de Lancelot, amigo que o traiu com sua mulher, a rainha Gwenevere, buscará o Santo Graal já que é puro e “sem pecado “ .
Ai já temos a visão da Igreja, pois não devemos esquecer que Arthur é filho de irmãos que consagram através dele a Deusa e a herança legítima de Avalon.
Richard Wagner,também um iniciado, compõe, redige e encena a ópera “Tanhäuser” cuja área do herói, “Du Holder Abendstern” ( Tu,Sagrada Estrela Dalva ), foi escolhida pelos Mestres da Grande Fraternidade Branca para ser ouvida e ajudar a ativar o Amor Incondicional. Também ativador o “Lohengrien ”, filho de Parcifal, onde o herói vem montado em um cisne e canta a famosa “Estória do Graal “ dizendo quem é seu pai. Não esqueçamos também a famosa “Marcha Nupcial “; assim como o ciclo composto de quatro óperas que formam “O Anel dos Nibelungen ” finalizando com o mesmo motivo musical com que a primeira ópera começa.
Wagner foi o primeiro grande artista multimídia.
Sabia que todos os componentes de um espetáculo operístico tinham o mesmo peso e valor: a música, o libreto, o cenário, as luzes, a indumentária. Inovou até no sentido orquestral, além de ter usado instrumentos celtas(que ele pesquisou e mandou fazer), ocultou a orquestra e trocou os violinos para a direita ao invés do convencional à esquerda.
O som no teatro foi único. Sendo o teatro todo de madeira, com a orquestra colocada de outra maneira e oculta, o “klang de “Bayreuth” foi fenomenal.
Wagner não era nazista. Sua nora Winifried, inglesa casada com seu filho Sigfried, era a admiradora de Hitler, que usou a característica típica dos artistas românticos ao voltar ao passado com o movimento “Sturm und Drang”.Daí se originam os ufanismos exacerbados como José de Alencar, Walter Scott, Vitor Hugo, etc Para manter o Teatro de Bayreuth aberto e para o nacional-socialismo, os temas de Wagner eram convenientes.
Mas gênio é gênio. Com nova roupagem, realmente à altura da nova revolução visual, Bayreuth funciona até hoje. E é dificílimo conseguir ingressos.
Outro grande iniciado, Geoeth, segundo várias referências incluindo as de Saint-Germain, em sua obra-prima, “O Fausto”, homenageia a Deusa, fala do Beltane( Noite de Valpúrges) e faz o personagem Fausto visitar as Mães da Terra. O final da segunda parte, que só foi publicada após sua morte por que ele assim o quis , por não se importar mais com a vox populi, termina com as palavras: “O Eterno Feminino Que Nos Eleva “. No século XIX ! Em Weimar, onde Goethe era ministro de estado. A pequena república era protestante e não católica.
Estas observações são um bom exemplo de como a Arte sabe contornar a máquina de controle do poder.
Nos países luteranos, como a Alemanha, se podia utilizar temas como o dos Cátaros, cristãos provençais que queriam seguir Mestre Jesus com simplicidade, imaterialmente, como os essênios. Foram tão perseguidos pela Igreja, que foi preciso instaurar a primeira Inquisição, a medieval, para silencia-los, como sempre, à força.
Não entremos nos detalhes bárbaros utilizados.
É o fim da Velha Energia.
A lenda do Graal só foi revivida em países não submetidos à Igreja, como a Inglaterra, Irlanda e a Alemanha e Países Baixos.
Exemplos?
Os Templários, Santa Sara, sua mãe Maria Madalena e seu pai José de Arimatéia.
Os Maçons na Inglaterra e na Escócia.
Adão e Eva ,de Lucas Cranach, , nus.
O “jardim das Delícias “, onde Bosh pinta com mínimos detalhes as fantasias sexuais mais variadas, loucas e exóticas.
Difícil imaginar como o subconsciente pode ser mostrado no século XIV !
Os dois pintores, mestres luteranos.
Voltemos ao Renascimento Italiano, tendo em mente a genialidade e a capacidade de enganar o grande mecenas autoritário dos artistas, a Igreja.
Os artistas tinham que seguir regras estritas e severas tais como: Mãe Maria só vestida de azul de um certo tom; só se podia usar quatro tonalidades de verde; as figuras somente vestidas até o pescoço, etc.
Hoje sabemos como a visão ótica é um potente sublimador e pode ser controlada à estímulos.
As cores eram controladas para não aumentar o espectro dos observadores.
Mesmo no Renascimento, a Natureza era pouco retratada. Por que ela liberta o espírito. E se os cátaros voltassem.....
Com Giotto, o povo sempre mantido anafabeto para ser melhor controlado, começa a aprender com seus afrescos como se fossem histórias em quadrinhos. E como as igrejas renascentistas eram menores, re-inventadas por três arquitetos geniais, Brunelleschi, Bramante e Paládio, não causavam o impacto das catedrais góticas onde a subserviência e a culpa eram ainda mais realçadas aumentando, ainda mais, a distância entre o pequeno homem comum e aquele solene Deus, que se encontrava ainda mais distante na sua casa linda, feita para intimidar ainda mais o “pobre pecador”.
E as novas vilas, já mais confortáveis, construídas para possibilitar um maior conforto para a burguesia, que gostou a idéia de ver-se retratada pelos grandes pintores.
E surge o Retrato.
O ícone foi, e ainda é, a Mona Lisa, de Da Vinci.
Não que Tiziano, Rafael, Miguelangelo, e outros tantos fossem menores que Leonardo.
Mas ele foi mais além.
Plasticamente a Arte é a procura das cores, primárias e secundárias, e,principalmente da luz. E a capacidade de expressa-las à perfeição é que faz de um artista um gênio.
Leonardo utilizou na Mona Lisa duas técnicas novas suas. O “Sfumatto “,
Onde a Luz parece esfumaçada, não evidente, concebida como se composta por vários véus sucessivos como os filtros , com camadas diferentes utilizadas hoje,em softwares para fotos.
E o “Chiaro/Oscuro” onde Leonardo coloca sombras, intermitentes e reveladoras, de diferentes graus de nesgas de Luz.
Esta dicotomia foi utilizada pela primeira vez na Mona Lisa
Além disso o fundo não está separado dela. Seus cabelos se entremeiam com a paisagem onírica ao fundo, que assombra o expectador até o final da viagem ótica. Longe no centro acaba por se ver a “gestalt”, o todo da composição no ponto de fuga, acima, no centro e acima da paisagem.
Esta maneira de ”ver” - começando em cima à esquerda, vindo para baixo, depois à direita até chegar ao ponto de fuga, acima no meio – foi utilizada também pelo Barroco e pelo Rococó.
Esta maneira de “ler “é semelhante ao da leitura da escrita ocidental.
Inovadores foram : o poeta americano E.E.Cummings, contemporâneo dos seus compatriotas que foram para Paris, e os poetas neo-concretistas como os irmãos Haroldo e Humberto de Campos, que adequaram seus textos à uma diagramação diferente construída com e ao redor do texto.
Também a Bauhaus inovou a escrita cortando a pontuação e fazendo verdadeiras inovações na forma de se ler e escrever.
É a era do design.
Hoje sabemos bem o valor e as possibilidades da grafia.