A TROCA
A FORMA MAIS AMOROSA DE GANHAR
RENÉE LENK
Só escambo.
Antigamente, e nos primórdios também.
Não havia dinheiro.
Conseqüentemente, a idéia do lucro era também
desconhecida.
A troca consistia em trocar algo que se precisava e
que o outro tinha de sobra.
Um punhado de arroz por um punhado de feijão.
A troca era uma transação saudavel.
Trocava-se o que se tinha tratado com amor, com dedicação
por um outro produto tratado da mesma forma.
A idéia de acumulo, fora a do abastecimento invernal, não existia.
Como é bonito viver assim.
É simples. É correto. É solidário.
É viver com o Amor pelo Amor.
Para quê dinheiro? E ainda pior, para que acumulá-lo?
Com as necessidades básicas atendidas, pode-se viver bem,
praticamente só trocando Amor pelo Amor.
E só pelo Amor.
Isso é possível. Não é utopia.
Já é assim.
Na cidade/estado do Dalai Lama.
Entre artistas, também e assim.
Picasso era excelente comerciante. Sabia quando tirar seus
quadros do mercado quando os preços baixavam demais.
Gostava de ser rico. Mas a que ele dava mesmo o maior valor?
O que havia nos seus cofres nos bancos, abertos depois de sua morte?
Quadros.
Pinturas excepcionais de seus colegas pintores.
Especialmente de Henri Matisse, que sabia ser tão grande quanto ele.
Picasso também tinha, como dizia o maior crítico de arte francês,
seu contemporâneo, descobridor do complexo de Ankor-Vat,
no Camboja, o seu Museu Imaginário.
Seu maior valor era a Arte. Seja a dele ou de um outro artista .
O dinheiro era-lhe secundário
Mesmo milionário, vivia bohemiamente.